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JMV pelo Mundo: Entrevista Ricardo Péres

 

Certamente que muitos o conhecerão, quem viveu as JMJ 2011 e o EIJV não se esquecerá de certeza do Ricardo Péres. O homem que nos guiou e que nos “serviu” com todo o seu coração, o Jovem do Sorriso.

O João Soares, Seminarista da Congregação da Missão, e Jovem JMV, entrevistou-o em Salamanca, onde ambos se encontram a frequentar o Seminário.

JOÃO - Desde que cheguei a Salamanca perguntei-me o porquê do Ricardo estar nesta casa e fazendo-lhe a pergunta ele falou-me que foi através da JMV, então pensei: porque não dar a conhecer a sua história? Foi então que através de uma conversa com Francisco Vilhena resolvi entrevistar este Jovem, agora meu amigo.

Resumo esta entrevista em três palavras que certamente, vocês leitores, vão detetar facilmente, Alegria, fidelidade e Jesus Cristo são estas mesmas palavras que definem a pessoa que vão conhecer quando lerem esta entrevista.

 

JOÃO - Porquê ser JMV e o que é que a JMV trouxe de novo à tua Vida?

RICARDO - A segunda parte da pergunta relaciona-se com a primeira. É precisamente o que eu esperava de novo, o motivo para ser JMV e para entrar na JMV.

Quando olho para trás dou-me conta de tudo o que a JMV fez na minha vida e como a enriqueceu. Esta associação, foi para mim o lugar, onde cresci na fé, onde amadureci a minha vocação e onde conheci pessoas com as quais compartilho a minha vida. Penso que é muito importante na minha vida, a minha família e JMV, já que a associação ajudou-me a que aquilo que a minha família me ia mostrando e plantando no meu coração, fosse crescendo e se desenvolvesse.

Ser JMV é mais que uma simples pretensa a uma associação, é tentar viver os valores próprios que a distinguem. O tentar viver esses valores (eclesial, laical, missionária, mariana e vicentina) fazem que cada um tenha claro o caminho e a meta. O caminho é maravilhoso e surpreendente em cada passo que cada um dá, a meta é única: Jesus Cristo. Não é fácil, no entanto, não é impossível.

Quando um é consciente e eu o fui, de que a JMV propõe um caminho/ processo que te aproxima de Jesus, sendo membro da igreja universal, como jovem comprometido e especialmente no serviço missionário, tendo como referência e exemplo Maria e inspirando-se no carisma de Vicente de Paulo. Por isso um não pode ficar indiferente, o percorrer este caminho e fazê-lo com alegria conscientes que no final o Pai está de Braços abertos; e durante a estrada Jesus te acompanha como amigo inseparável. Este encontro com Jesus é fundamental, contudo, como em todo caminho, encontramos pessoas que nos animam, nos apoiam e nos ensinam. É uma oportunidade única de conhecer, experimentar, avançar, superar... é uma oportunidade única de ser fiel, para ser feliz.

 

JOÃO - Como surgiu a vocação de sacerdote vicentino e qual foi a importância da JMV nessa decisão? 

RICARDO - Na Vocação, qualquer vocação, e no meu caso ao sacerdócio, é uma chamada que Deus faz, à pessoa, pelo seu nome, no mais íntimo do seu coração e da sua vida. A vocação no meu caso, foi da mesma forma, mas não se passou, como toda a gente pensa e pergunta, um dia concreto, a uma hora determinada... no meu caso não foi assim.

Eu a descreveria como uma chamada que Deus foi fazendo na minha vida, uma chamada insistente, que Eu não queria responder pelos meus medos e inseguranças, em definitivo por uma falta de confiança em Deus e no seu projeto para a minha Vida. Sempre pensei: Deus chamou-me uma vez, não lhe respondi, e já está, não haverá mais chamadas. Equivoquei-me já que a chamada é mais forte e mais insistente; interroga mais e faz-te mais consciente da resposta generosa, ou não. Se antes disse que a chamada não tem dia nem hora, a resposta tão pouco. Há que ir dando passos para responder e a melhor forma de o fazer é confiando em Deus e sem dúvida, sendo fiel para ser feliz. 

A vocação de Sacerdote Vicentino é algo que combina, ser sacerdote com ser missionário, essa combinação faz com que se tenha que discernir se um quer ser sacerdote e exercer o ministério como missionário Vicentino. 

A JMV ajudou em grande medida a que eu descobrisse a minha vocação e assim comprovei que em mim, se deu um dos fins da associação, que é, formar os associados para que vivam a vocação.

Tenho que destacar aqui, a importância dos que me acompanharam no processo de crescimento dentro da JMV, os catequistas, as Irmãs e os Padres da Missão. 

No meu caso, as Filhas da Caridade mais concretamente as do meu colégio, S. Diego e S. Vicente, e mais concretamente a minha catequista Irmã servente naquele momento, foram as que me ajudaram através da vivência da sua própria vocação: o amor aos Pobres, foram elas que me mostraram a grandeza do serviço e da vocação vicentina. Juntamente com elas, alguns missionários e muitas experiências de vida, que me fizeram mais consciente da chamada que viria a configurar a minha vida no seguimento de Cristo Evangelizador dos Pobres. 

 

JOÃO – A experiência do EIJV e da JMJ Madrid 2011 e o conhecimento de muitas pessoas foi importante para ti? 

RICARDO - Antes, referi as experiências de vida e sem dúvida uma delas foi EIJV e a JMJ de Madrid 2011. Aquelas jornadas mundiais da juventude foram um impulso à minha vocação.

O encontro de jovens vicentinos, permitiu-me descobrir a grandeza da associação e sobretudo ver como Jovens de todo o mundo, estavam juntos, congregados no mesmo espírito, o espírito do Amor, o espírito de Jesus e tendo um mesmo carisma: Vicentino.

Conheci muitíssimas pessoas de todo o mundo, sobretudo de Portugal, Brasil e Itália já que o meu colégio era quem as acolhia. Foi realmente maravilhoso assistir a essa mistura de culturas, próximas e as vezes distantes e diferentes. Viver com eles e atender a todos fez-me feliz, era uma alegria compartida e que dura ainda nas minhas recordações.

Cada vez que me recordo daqueles dias, vêm a mim um sentimento de alegria e gratidão. Alegria de partilhar a fé é o presente maior que temos, Jesus Cristo; gratidão por tudo o que partilhamos, pois ajudou-me a ser mais consciente da minha vocação e da minha resposta, juntamente com a facilidade com que tudo ocorreu num modo de grande Família unida.

A JMJ fez-me dar conta da universalidade da Igreja na qual, nós associação pertencemos. Somos JMV no entanto somos Igreja católica, nunca devemos esquecer que somos parte da Igreja, que estamos nela, que vivemos nela e que a Igreja é uma família maior na qual pertencemos. Sem a Igreja, não teríamos sentido nenhum, sem ela perdemos a referência a Jesus Cristo. Estamos na Igreja, vivemos nela por isso sejamos fiéis a Ela e a Jesus.

 

JOÃO - O que mais tem impressionou?

RICARDO - sem dúvida, recordo muitos momentos, mas guardo no meu coração sobretudos dois.

O primeiro, vivi no começo, durante o acolhimento na capela do colégio. Cada grupo que chegava teria que apresentar-se em pequenos grupos diante do Senhor, de maneira que eles quisessem e cada grupo que vinha surpreendia-me e alegrava-me mais. A forma que cada um escolheu (silêncio, música, sorrisos, palmas, união...) fizeram-me sentir que Deus estava presente entre nós e se alegrava com a nossa presença.

O segundo momento foi em Quatro Ventos, aquele mar de Gente de todo o mundo, unidos e reunidos com o Papa Bento XVI, em torno a Jesus Cristo, passando muitíssimo calor e depois suportando a grande tempestade. Foram momentos de bênção, de Alegria, de vivência, de partilha... Isso nos mostra como diante das dificuldades cabe a possibilidade de viver na Alegria, sempre e quando estamos rodeados e acompanhados de gente que comparte connosco Jesus Cristo. Para além das circunstâncias e do tempo – calor e chuva- está a união de todos e a alegria com que vivemos aqueles momentos.

Muitos foram os momentos Vividos, de oração, partilha, festa... todos eles foram importantes e foram pelas pessoas que os fizeram possíveis. Cada pessoa se entregou a si mesma, com as suas limitações e talentos e tudo por um motivo Jesus Cristo.
João – Sei que conheceste pessoas de Portugal, queres falar de algumas que te ficaram na memória?

Ricardo- conheci, muitíssimas pessoas de Portugal, não direi nomes porque certamente que me iriam escapar, no entanto quero recordar um momento.

Em concreto, recordo um momento que guardo com admiração e sem dúvida como um ensinamento, ocorreu uma noite, quando um grupo de Portugal, reunido na capela, pediu-nos, ao Fábio e a Mim, que não apagássemos as luzes. Que os deixassem mais tempo na capela, pois teriam que resolver situações que se tinham produzido no grupo e a melhor forma para as resolver era diante do Senhor, lendo a sua palavra e permanecendo unidos diante dele, pois é ele que une, alegra, acompanha e guia. Aquele catequista e todo o grupo permitiram-me comprovar como tudo tem solução se contarmos com Jesus, se confiarmos nele e nos pusermos na sua presença. A importância do silêncio, da escuta, da contemplação e em definitivo da oração.

Muitas pessoas estão na minha memória por diferentes motivos e todas elas estão unidas a momentos de alegria, conversa, oração... sem dúvida marcou-me muitíssimo o depois, o seguir falando quando regressaram a Portugal, o ver como do encontro saíram relações de amizade e de aproximação pessoal, mais além da distância física. Petições de oração, compartilhar momentos de alegria ... em modo de Amigos, de pessoas que se conhecem e compartem a fé. Fica-me na memória cada pessoa que me fez uma foto, cada pessoa que me deu um obrigado, cada pessoa que me sorriu ... que bonito é compartilhar, viver, fazer amigos e todo por Jesus Cristo e dentro da JMV.

 

JOÃO - Como está a ser a tua experiência Com a congregação da Missão?

RICARDO - A minha experiência nos missionários está a ser um caminho que se baseia na confiança de que Deus está por detrás de dela. É um caminho, que está a começar, que está a servir para discernir a minha vocação, para aprofundar a minha resposta e seguir dando passos até aquilo que creio e sinto que Deus me chama cada dia.

É fundamental a oração pessoal e em comunidade, esta permite ter uma relação com Deus. É essencial descobrir a vida comunitária e avançar nela, o ver o bom e aprender dele, descobrindo que a todos nos chama e nos congrega ao mesmo e que embora diferentes, estamos unidos pela mesma missão.

Como todo o caminho que começa, necessita de muita aprendizagem e muita paciência, dos tempos de Deus e não dos meus, de muita oração pessoal e de muita confiança em Deus e nos seus planos para a minha vida.

 

JOÃO - Consideras que a JMV tem alguma importância nas vocações na Congregação da Missão? 

RICARDO - como disse antes um dos objetivos da JMV é de formar os membros na vocação cristã para que sigam Jesus Cristo.
JMV têm que supor um crescimento da fé, ao longo do processo que se segue e sem lugar para dúvidas deve levar a um discernimento sobre a vocação própria de cada um, discernimento esse que se faz com outros, dentro da associação mas que é pessoal e íntimo. Deus têm para todos e para cada um dos seus filhos, um plano, uma chamada para a sua vida, essa concretiza-se em diferentes respostas e a JMV tem que ser o lugar de crescimento e discernimento.

Pode e deve mostrar a necessidade da felicidade da nossa resposta à vocação ou a chamada de Deus para poder ser felizes na nossa vida. Todos aspiramos a felicidade e esta só se alcança quando somos fiéis.

 

 

JOÃO - Como vês o futuro?

RICARDO - Não vejo o futuro, só penso em seguir respondendo a chamada diária de Deus e faze-o com alegria e pondo a confiança nele. Não quero olhar mas além, basta-me ser fiel cada dia.

Sim creio que no futuro de todos deve ocorrer uma coisa: estar alegres por ter a Jesus Cristo, e cheios de amor para os Irmãos, especialmente os pobres. Que sintamos a sua dor como nossa e trabalhemos por eles, alcemos a voz por eles e para eles.

Quero terminar esta entrevista dizendo a todos os jovens de Portugal, especialmente aqueles com que compartilhei as JMJ 2011 dizendo-vos: OBRIGADO. Obrigado por me terem ensinado tanto e por serem genuínos, obrigado por toda a partilha e vivência e obrigado por dividir a alegria da fé em Jesus Cristo Ressuscitado. A todos vos animo a que sigais na JMV e que o façais de tal forma que a vossa vida mude e olheis a vida através dos olhos de Deus, tirando o bom de tudo aquilo que vos suceda e pondo-o nas mãos de Deus. Rezo pela JMV Portugal e por todas vós que fazeis possível que a associação esteja viva e trabalhe pelos demais.

Obrigado João por esta oportunidade de dirigir-me aos Jovens da JMV Portugal e juntos, pedimos que rezem por nós que caminhamos, agora juntos, na comunidade interprovincial de formação Inicial (CIFI), em Salamanca, tu como estudante e eu como aspirante ao seminário Interno.

Que Maria Milagrosa vos proteja e que Deus vos abençoe.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

 

Ricardo Rozas Péres. Postulante da Congregação da Missão

 

 

 

 

 

 

 

 

Pensa um pouco:

“O cristão acolhedor é um verdadeiro dom para a Igreja, porque a Igreja é Mãe e uma mãe acolhe a vida e a acompanha”

Papa Francisco

Audiência com a Família Vicentina

Vaticano, 15 outubro 2017

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